Descrição

A agricultura de regadio tem um papel fundamental em Portugal, onde as condições agro-ecológicas são caracterizadas por verões quentes e secos, com taxas de evapotranspiração elevadas. Contudo, o acréscimo da evapotranspiração associada à rega constitui uma pressão sobre a salinização do solo, através da acumulação de sais no perfil de solo, da qual pode decorrer a quebra de produção e, em caso extremo, a desertificação e abandono da terra.

O controlo da salinização associada à necessidade de economia da água e ao controlo da lixiviação de nutrientes são razões suficientes para se estabelecer uma gestão da rega sustentável e, através dela, minimizar os riscos de degradação do solo, mantendo o máximo rendimento das culturas.

A equipa de investigação deste Projeto tem vindo a estudar a degradação dos solos em áreas regadas nos últimos 15 anos de forma integrada, tendo desenvolvido e testado um conjunto de metodologias para avaliar, prever e minimizar os riscos de salinização do solo, a eficiência da fertilização e os efeitos no rendimento das culturas. Este Projeto procurará estender esse conhecimento a diferentes áreas do perímetro de rega do Roxo, Alentejo, adequando a rega às propriedades do solo através da modelação da hidrologia e do desenvolvimento das culturas em função das condições meteorológicas.

O programa de trabalho inclui a monitorização da qualidade de água de rega da albufeira do Roxo e o estudo da distribuição espacial das propriedades do solo com recurso a métodos eletromagnéticos induzidos e geostatísticos.

A questão da salinização do solo é antiga. A novidade do projeto é a sua associação a práticas de otimização da rega que garantam a preservação do solo, sem comprometerem a rendimento dos agricultores. O projeto contribuirá ainda para melhorar as ferramentas Portuguesas disponíveis para a implementação da Diretivas dos Nitratos e da Diretiva da Água e para a conservação do solo.